Casal homossexual casa na parada gay


Marcelo, 36, e Roberto, 30, se casaram em cerimônia neste sábado (13).
‘Vou me vestir de noiva e ele, de noivo na parada’, revela Roberto.



A cerimônia religiosa ocorreu na noite deste sábado (13) em um auditório na sede do Sindicato dos Químicos de São Paulo, na Liberdade, região central da capital. Mas a festa de um casal de homossexuais será mesmo neste domingo (14), com a presença de cerca de três milhões de “convidados” e em plena Avenida Paulista.

Marcelo, de 36 anos e operador de monitoramento, e Roberto, de 30 anos e segurança, formaram um dos quatro casais de homossexuais que se ‘casaram’ em cerimônia celebrada pelo reverendo Cristiano Valério, da Igreja Comunidade Metropolitana. A união entre pessoas do mesmo sexo não é aceita pelas igrejas cristãs tradicionais e nem é regulamentada pela legislação brasileira.

Apesar disso, fizeram questão, assim como os demais casais gays que participaram da cerimônia religiosa, de ter a união deles “abençoada por Deus”, inclusive com a aprovação e presença de muitos familiares, como em uma festa tradicional de casamento.

“Para nós, é muito importante receber esta benção. Sempre encontrei barreiras em outras igrejas quando tentava me mostrar da maneira que eu realmente era. Na ICM (como chamam a Igreja da Comunidade Metropolitana), nos aceitaram do jeito que realmente somos. Essa liberdade, esse apoio foi decisivo para ficarmos juntos e decidirmos nos casar”, explicou Marcelo.

O parceiro dele, Roberto, contou que já foi casado com uma mulher por um ano e meio, mas que sempre foi gay. “Ela tinha ciência da minha homossexualidade. Não deu certo. Ela achou que frequentando a igreja evangélica eu mudaria.”

Foto: Marcelo Mora/G1

Roberto, de 30 anos, e Marcelo, de 36, formaram um dos quatro casais que participaram de casamento gay coletivo em São Paulo neste sábado (Foto: Marcelo Mora/G1)

Quando conheceu Marcelo, pouco antes da separação definitiva, ele diz que se apaixonou, mas que nunca abriu mão da sua religiosidade. “O Marcelo foi uma ponte para me separar logo da minha mulher. Depois de me separar, além de um companheiro, eu procurava também um lugar que pudesse ter contato com Deus”, afirmou.

A decisão de casar só foi tomada há cerca de 20 dias, quando Roberto soube do casamento coletivo para gays. “Comecei a mandar torpedos para ele, pedindo-o em casamento. No começo, ele não gostou muito. Mas depois conversamos e decidimos nos casar”, revelou Roberto. Só não previam que a participação na Parada Gay, combinada pelos dois anteriormente, iria se tornar uma verdadeira celebração. “Amanhã (domingo, 14), vou estar vestido de noiva na Parada Gay e ele, de terno e até cartola”, disse.

De acordo com o reverendo Cristiano Valério, a Igreja da Comunidade Metropolitana foi criada no final da década de 1960 em Los Angeles, nos Estados Unidos. No Brasil, chegou “apenas recentemente”. “Temos sede em nove cidades até o momento”, disse.

Segundo ele, a igreja é voltada principalmente para as minorias. “As igrejas tradicionais são muito fechadas e nós acolhemos essa diversidade dos filhos de Deus. Nós cremos que a homossexualidade é uma benção de Deus”, afirmou.

Foto: Marcelo Mora/G1

Reverendo da Igreja da Comunidade Metropolitana celebra matrimônio coletivo de casais homossexuais na noite deste sábado(13) no auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo, na Liberdade, região central. O evento acontece na véspera da Parada do Orgulho Gay, em São Paulo (Foto: Marcelo Mora/G1)




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